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DISCURSO

RECITADO NA SESSÃO PUBLICA

DA

ACADEMIA REAL DAS SCIENCIAS DE LISBOA

EM 12 DE DEZEMBRO DE 1875

PELO VICE-PRESIDENTE

Dr. José Vicente Barboza du Bocage

SENHORES:--Em obediencia aos seus Estatutos celebra a Academia Real das Sciencias a sua sessão publica annual.

Este recinto, onde reina habitualmente o silencio favoravel å meditação e ao estudo, mostra-se hoje animado e festivo. É com effeito dia de festa para a Academia este em que a presença do seu Augusto Protector, El-Rei o Senhor D. Luiz, e do seu Egregio Presidente, El-Rei o Senhor D. Fernando, e o concurso de pessoas tão conspicuas e illustradas acrescentam novos testemunhos de benevolencia aquelles com que esta corporação tem sido constantemente favorecida.

Incumbe á Academia apresentar-vos n'esta sessão a historia succinta de seus actos durante o ultimo periodo decorrido. O nosso consocio, que por voto unanime da Academia exerce desde muitos annos as funcções de secretario geral, dar-vos-ha conta com a sua costumada proficiencia do modo por que a Academia correspondeu aos elevados fins da sua instituição, ás honrosas tradições do seu passado e ao favor nunca desmentido de nacionaes e estranhos.

Na occasião em que levantamos um novo marco n’esta senda illimitada que vamos percorrendo, é natural que se nos avive a saudade dos companheiros que não lograram chegar comnosco ao termo d'este ultimo estádio, e que busquemos conforto a tão justa magoa recordando o quinhão valioso com que estes obreiros da civilisação concorreram para o thesouro intellectual da humanidade. A Academia Real das Sciencias paga hoje o merecido tributo de respeito e gratidão á memoria de dois sabios eminentes, cujos nomes ha muito illustres nos fastos das sciencias e das lettras, passaram em caracteres indeleveis ao livro onde a posteridade inscreve os homens verdadeiramente grandes pela intelligencia e pelo saber.

As Academias, disse-o já uma voz auctorisada, são o forum pacifico, onde as opiniões se cruzam para que do seu embate faisque mais explendida a luz da civilisação. Pelo concurso de quantos se empenham individualmente na investigação da verdade, mais do que por si proprias, cooperam ellas no progresso das sciencias e no aperfeiçoamento indefinido da humanidade. Cumpre-lhes por isso manter illesos os direitos da razão humana, e guardar intactos os dominios da sciencia tão vastos como o Universo.

A Academia Real das Sciencias, podemos dizel-o com ufania, mostrou comprehender desde a sua instituição, pela tolerancia e independencia com que sempre se houve, que a sciencia só pode viver e prosperar enlaçada com a liberdade. Temos a mais profunda fé em que deixará de si proveitoso exemplo ás gerações futuras conservando-se fiel as súas tradições.

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